A Volkswagen do Brasil está prestes a retomar a produção de veículos na fábrica de São Bernardo do Campo, após as medidas de fechamento das unidades em todo o país como forma de contenção da pandemia do coronavírus (COVID-19). Na Alemanha a produção de veículos foi reiniciada há duas semanas com a linha de produção do novo Golf, atual símbolo de longevidade em termos de produto, uma vez que o carro foi lançado comercialmente em 1974. Pouca gente sabe mas esta não é a primeira vez que a fábrica de Wolfsburg tem a produção suspensa.

Vamos relembrar a história desta grande cidade dos automóveis da Baixa Saxônia que foi erguida a mando do ditador Adolf Hitler que em 1934 contratou o engenheiro austríaco Ferdinand Porsche para desenvolver um projeto de carro barato, econômico e apto a levar uma família com sua bagagem sob os mais rigorosos regimes de temperatura e geografia. O projeto foi aprovado e Hitler deu início a construção de uma fábrica que foi pronta em 1939, menos de um ano antes da II Guerra Mundial começar.

Assim, a fábrica que tinha usina de eletricidade e tratamento de água próprio assim como dormitórios e refeitórios, começava a produzir o KdF-Wagen, sigla de “Kraft durch Freude” ou “Força pela Alegria”, o carro com motor refrigerado a ar de cilindros contrapostos que ficaria famoso. Foram pouco mais de 500 unidades fabricadas até que a guerra eclodiu e toda aquela estrutura estaria posta sob prova.

Imediatamente o Fusca deu origem a diversos projetos de carros de uso militar como o Kubelwagen, um jipe pequeno com tração integral que usava carroceria russa e chassi e motor de Fusca. Também deu origem ao Type 87, que era um Fusca com tração integral, pneus lameiros e suspensão reforçada além do Schwimmingwagen, um modelo anfíbio que teve três versões. Foram mais de 65 mil unidades militares produzidas naquela fábrica que deixava de fazer modelos civis para fabricar apenas veículos de uso para o esforço de guerra.

Em 1944 Wolfsburg começava a sofrer bombardeios e os alemães pouco a pouco foram deixando a fábrica até que ela fosse abandonada. Quando os trabalhadores perceberam que os ex-chefes haviam ido embora, destruíram boa parte de suas instalações como forma de protesto. A partir do verão de 1944 Wolfsburg deixava de produzir até maio de 1945. Os ex-funcionários ainda ocupavam a fábrica por não ter onde ir. No local havia horta e produção de alimento estocada o que ajudava a mantê-los vivos no rigoroso inverno alemão.

Em maio de 1945, logo que o exército alemão se rendeu, Ferdinand Porsche formou uma comissão que foi ao encontro dos americanos que ocupavam a área mas não estavam na cidade. Com o exército dos Estados Unidos, o grupo se reuniu com líderes dos trabalhadores e combinaram que a produção na unidade seria retomada. Porém, o interesse dos EUA era somente de retomar a produção de modelos militares temporariamente enquanto o Fusca seria abandonado.

Foi quando o major inglês Ivan Hirst acreditou no potencial da fábrica e quando os americanos desistiram de controlar a unidade reuniu os trabalhadores, finalizou a produção dos Kubelwagen que estavam semi-prontos e retomou a ideia de produzir o sedã cujo projeto estava pronto. Hirts foi desencorajado pelos britânicos que consideravam o Fusca simples demais mas ao longo de 1945 organizou todo o processo produtivo com a ajuda dos trabalhadores.

No início de 1946 a fábrica retomava a produção do carro que nascia com a missão de popularizar o automóvel no Pós-Guerra. Em março já eram 1.000 unidades do Fusca produzidos em Wolfsburg, produção que só iria cessar em 1978 em território alemão.

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