Nesta semana onde celebramos a chegada do homem à lua, registro feito em 20 de julho de 1969, exatos 50 anos atrás, muita história envolve esse grande projeto que começou ainda nos anos 1950 e foi anunciado pelo presidente John Kennedy, assassinado em 1963. Dois anos antes disse “Eu acredito que esta nação deve comprometer-se em alcançar a meta, antes do final desta década, de pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra em segurança”.

No domingo, por volta das 20h, o mundo recebia imagens ao vivo da chegada da Apolo 11 à Lua. Naquele primeiro passo, Neil Armstrong chegou primeiro seguido por Edwin Buzz Aldrin onde caminharam a pé por duas horas na superfície lunar. Naquela mesma semana onde tudo isso ocorria ao vivo, a NASA assinava um contrato para desenvolvimento de um veículo capaz de funcionar no satélite e facilitar o trabalho de exploração.

Um jipe na lua

Inspirada pelo projeto do Jeep Willys que fez a diferença para a vitória dos países aliados na II Guerra Mundial, a durabilidade e versatilidade daquele veículo, a agência espacial queria algo semelhante para a exploração lunar. Nas condições da lua, com baixa gravidade e temperaturas abaixo de zero, não poderia funcionar um veículo a combustão nem pesado demais.

Assim, a NASA já tinha ideia do que ia encontrar e especificou o carro: construção leve, pneus sem ar, e capacidade de levar um kit de sobrevivência bem como mínima autonomia para cumprir a missão dada na superfície da lua.

A NASA enviou cartas aos fabricantes de veículos mas a GM em conjunto com a Boeing foi que venceu o projeto para construir o Lunar Rover Vehicle.

A Boeing foi quem definiu a construção do veículo totalmente em alumínio, forte e leve para suportar as condições da lua. A Delco, empresa do grupo GM desenvolveu as baterias de 36V usadas para alimentar o motor elétrico de apenas 1cv distribuindo 0,25cv em cada uma das quatro rodas. O volante foi substituído por um joystick central de modo que poderia ser pilotado por qualquer um dos dois astronautas com apenas uma mão. Havia espaço sob os bancos e atrás para levar o equipamento de comunicação com satélite e GPS (sim, já existia sistema de posicionamento global desde o início dos anos 1960). A bateria era capaz de dar autonomia para a comunicação e rodar cerca de 80km com o veículo.

Os pneus antecipavam o que seria a tecnologia run flat, com estrutura reforçada nas laterais e na banda de rodagem, para suportar bem as crateras e dificuldades de piso na superfície lunar.

O primeiro protótipo ficou pronto em 17 meses, tempo recorde, e foram iniciados os testes em regiões desérticas dos Estados Unidos, na região de Nevada, Sul da Califórnia e no Texas, sob as mais variadas temperaturas. Quatro veículos foram produzidos e usados nas missões Apollo 15, 16 e 17.