Para quem é fã de Volkswagen o sedã Fox é quase um sonho e fonte de lendas em torno de sua imagem. O carro produzido em São Bernardo do Campo teve 200 mil unidades exportadas para os Estados Unidos e Canadá entre 1987 e 1993 e era muito mais equipado do que o Voyage vendido para os consumidores do Brasil.

Algumas unidades do Fox (não vamos confundir com o compacto produzido até hoje) eram vendidas para executivos da montadora e por questões burocráticas e tributárias alguns modelos não embarcaram para a terra do Tio Sam, e eram oferecidos aqui no Brasil como “Voyage GL” mais equipado. Com o passar do tempo, esses carros pararam nas mãos de compradores que sequer sabiam da origem do projeto.

Não foi o caso do autônomo Diego Gustavo Pereira, dono do Fox 1987 que participou da Avant Premiére na Noite do Gol. Pereira sempre foi fã da linha Gol e em 2016, após casar e mudar de casa para um apartamento recém construído, reparou no estacionamento do condomínio a presença de um carro diferente.

Conhecedor do carro, já ficou interessado pela descoberta. O Fox em questão era de uma dona que usava o veículo para levar os filhos à escola e ao supermercado. “Me chamou a atenção as quatro portas, já que o pessoal conhece bem os Voyage argentinos (que tiveram unidades vendidas no Brasil) mas eu gostei mesmo do interior que é bem diferente…. painel satélite que só chegaria no modelo nacional bem depois e vários detalhes diferenciados”, conta Diego Pereira.

O tempo passou, o interessado conheceu a dona do carro e se colocou à disposição para um dia comprar o carro. Anos depois, em 2016, o carro surgiu com placa de venda no estacionamento do condomínio e a proprietária conversou com Diego no mesmo dia e o negócio foi fechado.

“O carro era bem alinhado, só estava com a pintura queimada”, relembra Pereira que desmontou o carro inteiro para fazer uma limpeza e higienização completa. Como os Voyage Fox eram vendidos como “GL”, Pereira buscou detalhes que faltavam ao carro como o emblema Fox, comprado pelo Ebay. O restante era original do carro.

“Tem tudo do Fox como os cintos de três pontos atrás, lameiros, alerta de cinto de segurança do passageiro, instruções em inglês na caixa de fusíveis, a luz de teto emprestada do Gol GTi e a gente fica abismado com a quantidade de detalhes que o carro tem a mais”, diz orgulhoso.

O carro não havia participado de nenhuma exposição ou evento antes de ser mostrado no Auto Show Collection, o que tornou elegível para ser o carro da Avant Première na Noite do Gol.

A história do Fox

O Projeto 99 foi iniciado em 1982 pela Volkswagen do Brasil, para expandir a exportação do Voyage para um mercado bastante exigente, os Estados Unidos e o Canadá.

A partir do Voyage, que já estava pronto naquele ano, a engenharia trabalhou durante cinco anos em 2.000 modificações para que o carro atendesse às exigências do mercado da América do Norte. Algumas unidades, inclusive, rodaram no Alasca, em teste sob rigorosas condições de frio intenso.

As exportações começaram efetivamente em 1987. Eram enviados aos países da América do Norte tanto o Fox quanto a Fox Station Wagon (Parati) com muitas melhorias em relação aos modelos nacionais. O motor era o 1,8 litro (AP800) de 81cv com câmbio de quatro ou cinco marchas, na versão GL, já adotava o Catalisador e tinha injeção eletrônica Bosch KE-Jetronic monoponto. Não tinha direção hidráulica nem transmissão automática então era oferecido como carro de combate entre os modelos mais baratos nos dois países.

O painel tinha comandos do tipo satélite, que só chegariam aqui no ano seguinte no Gol GTi, assim como a injeção eletrônica. O Fox tinha farois de halogênio selados, retrovisores diferentes, repetidores de seta, estepe fino e instruções em inglês bem como painel marcando em milhas.

Mesmo distante do gosto do norteamericano, o Fox era o carro mais em conta que o Golf chamado por lá de Rabbit e fez relativo sucesso. Em 1990 chegou a injeção eletrônica multiponto, e em 1991 ganhou a mesma dianteira que era oferecida no Brasil com farois afilados. A perua Fox Station Wagon deixou de ser vendida lá nesse ano, e o Fox duas e quatro portas seguiu até 1993. No mesmo segmento, a Hyundai começava a vender o Elantra, que conquistava o consumidor norteamericano pelo baixo custo, economia e durabilidade, virtudes de certa forma copiadas do Volkswagen.

A Noite do Gol em 2019 reuniu pouco mais de 1.000 veículos no sambódromo. Atualmente é o maior encontro da linha Gol existente no país, realizado no Auto Show Collection há cinco anos.