O estilista Ralph Lauren tinha na garagem um acervo de US$ 350 milhões em automóveis

 

Ter um carro que é ícone da indústria automotiva na garagem traz uma grande satisfação. Quem não gostaria de ter em casa um Ford Mustang 1966, um Citroen DS 1957, um Plymouth Belvedere 1956, uma Ferrari F40 ou tantos carros interessantes que são parte de um legado e de uma época?

BMW M5 1992 com motor 3.8 para o mercado europeu

 

Até mesmo modelos icônicos mais recentes como uma BMW M3 dos anos 1990, Porsche 911 1997, um Alfa Romeo 156 1999, um Audi TT 2001 também trouxeram inovações quando lançados.

No entanto, manter esses carros requer atenção e cuidado com a manutenção preventiva. Na hora da revisão de férias ou nos carros que ficam boa parte do tempo parados, feita especialmente nessa época do ano, alguns itens merecem ainda mais atenção por vários motivos. “Os carros premium por melhor que tenham sido adaptados às nossas condições de rodagem sempre apresentam pontos de atenção que começam pela eletrônica dos carros”, afirma José Manuel Veludo, gerente de oficina especializada em modelos premium AM Marcelo.

Problemas com a eletrônica

Muito comum em carros dos anos 1990 quando itens como computador de bordo e controle de tração começaram a chegar, os carros premium tem mais itens comandados por centrais eletrônicas que “conversam entre si” como controle de tração e estabilidade, dispositivos de segurança, sem falar na gestão de consumo, gases e etc.

Ford Mustang 2005: modelos esportivos precisam ainda mais de cuidados

 

Para evitar que as luzes acendam como a do ABS, tração, temperatura, injeção (a mais comum), entre outras, um checkup com computador pode ajudar a varrer o problema, literalmente. “Nos carros de hoje em dia os clientes se queixam de luzes que indicam problemas na injeção, na parte elétrica do veículo ou na parte de segurança como a luz do freio ABS”, explica Veludo, da AM Marcelo.

Freios são ponto de atenção

Hoje em dia os avançados sistemas de freios com discos e pastilhas maiores, contam com sistemas antitravamento e às vezes até de limpeza automática das pinças de frenagem.

Jaguar e um complexo sistema de freios de alta tecnologia

 

Em carros esportivos antigos, mesmo sem ABS, havia sensores que identificavam superaquecimento e falhas na distribuição da frenagem, o que requer verificação.

Óleo no tempo e no nível

Ponto crítico e ignorado por muitos donos de carros premium é o intervalo da troca e o tipo de óleo usado no motor. Carros que ficam parados na garagem também tem problemas com o óleo parado no motor, o que pode ajudar na formação de borra e prejudicar a boa lubrificação de motores geralmente mais delicados.

Ferrari F40 na oficina: quanto vai custar um checkup básico?

 

A troca de óleo está prevista no manual do fabricante bem como a especificação técnica (SAE) do produto utilizado o que deve ser seguido à risca. Nos carros premium vale a pena investir um pouco mais e trocar sempre o filtro de óleo, de ar e combustível se possível, o que evita problemas futuros por falhas na alimentação do motor. A troca de óleo é feita a cada 10 mil quilômetros ou um ano mesmo que o carro fique parado e funcione eventualmente.

Óleo de câmbio
Essa vale para transmissão manual e também automática. Como boa parte dos carros mais caros tem câmbio do tipo automático ou automatizado, o proprietário precisa ficar atento à viscosidade do óleo conferindo o nível na vareta conforme indicado no manual.

Câmbio de dupla embreagem automatizado PDK da Porsche

 

“As montadoras hoje estão fazendo os câmbios com lubrificação ‘long life’ que teoricamente não precisa ser verificada mas esse componente trabalha sob alta pressão e requer manutenção ou pelo menos verificação da viscosidade e da cor”, alerta o especialista. O óleo de câmbio deve ser pelo menos verificado a cada 80 mil km, mas no caso de um carro recém adquirido vale a pena checar em uma revisão completa.

Sistema de refrigeração (arrefecimento)
Carros premium estão mais sujeitos a falhas frequentes no sistema composto pelo radiador, mangueiras e bomba d´água. Se hoje em dia a tropicalização dos carros é feita com maior cuidado, antigamente modelos especiais eram importados sem qualquer adaptação para o nosso mercado.

Em um país tropical como o Brasil é importante fazer a manutenção frequente e verificação do nível da água do radiador, pressão da bomba e estado das mangueiras que atuam sob alta pressão da água. “Novamente a eletrônica é uma composição importante no sistema de refrigeração pois um sensor já indica que o motor está trabalhando sob alta temperatura, e a solução geralmente é simples como a troca do líquido de arrefecimento, uma limpeza, ou no máximo a troca de uma bomba d´água”, alerta Veludo.

Suspensão

Pela mesma questão da tropicalização, os carros importados precisam de manutenção de componentes como amortecedores, bandejas e buchas.

Sistema de suspensão Hydractive do Citroën C5

 

Antes disso, o alinhamento ou balanceamento previnem contra o desgaste acentuado dos pneus e já previnem gastos maiores. Um dos sinais para problemas na suspensão? O volante torto, barulhos e também a tendência do carro perder a trajetória na via indicam que algo precisa de reparo na suspensão.

 

Com informações/agradecimento: AM Marcelo, oficina especializada em veículos premium.

 

Por Guilherme Magna