Nesta semana o último compacto da linha Fiesta deixou a linha de produção da Ford em São Bernardo do Campo/SP para entrar na história. Ao longo desses 24 anos, tivemos no Brasil quatro das sete gerações já vendidas no mundo e agora o hatchback mais premiado da marca deixa silenciosamente de ser vendido abrindo leque para o Ka, que seguirá sendo fabricado em Camaçari/BA ao lado do Ecosport.

Para relembrar a trajetória do Ford Fiesta no Brasil e no mundo, o Auto Show Collection traz de volta a história desse competitivo hatch que agora só será vendido neste continente no mercado mexicano, seguirá em linha na Europa e também na Ásia, especialmente na China.

Breve história no Brasil

No Brasil, o Fiesta chegou em 1995 como status de carro importado. Na época, a terceira geração já estava no final de sua trajetória e ajudou a renovar o portfólio da marca já que por aqui na época o carro mais barato da linha era o Escort Hobby.

O carro tinha visual já cansado pelo design quadrado enquanto os concorrentes eram mais modernos como o Chevrolet Corsa e o Gol da segunda geração apresentado naquele mesmo ano. Tinha motor Endura 1.3 e injeção eletrônica, que era tendência em modernização dos carros.

Em 1996 ele passou a ser fabricado aqui. Além do desenho renovado, à altura dos concorrentes, tinha também novos motores. Além do Endura 1.3L estreava o Zetec-SE 1.4 16V EFI, todos com injeção de combustível multiponto o que tornaram o carro bastante desejado. Mesmo diante do sucesso do estrante Fiat Palio e do próprio Ka, o Fiesta estava alinhado com produtos vendidos na Europa e virou referência.

Em 2002 chegava a quinta geração com o renovado estilo new edge, que inspirava todos os carros da linha Ford. Além do motor 1.0 aspirado, tinha motor 1.0 turbo com compressor mecânico e o motor 1.6. Nesta época o Fiesta viveu seus melhores tempos na linha Ford, com um carro referência em espaço interno, economia e design que sofreu facelift anos depois.

Apesar da sexta geração ter sido apresentada em 2007 o Brasil só passou a conviver com o New Fiesta em 2010. Era fabricado no México e a nacionalização só veio em 2013. Um ano depois o Fiesta da quinta geração saia de linha e a versão seguinte a substituiu quando o Ka surgiu. Mesmo com motores de alta eficiência como o 1.0 Ecoboost, 1.5 e 1.6, o Fiesta já não conseguia emplacar tanto enquanto o Ford Ka (mais barato) ocupava seu espaço.

Fotos circularam na Internet com o registro do último modelo brasileiro a deixar a fábrica de São Bernardo do Campo, que está em processo de fechamento. Este ano, a Ford vive um período especialmente difícil ao anunciar o fim da linha de veículos comerciais (exceto as Pickups), ao deixar de vender o Focus que também saiu de linha na Argentina e ao anunciar que o Fusion deixará de ser vendido até o ano que vem. A marca segue uma estratégia global de focar seus produtos nos segmentos de pickups e SUVs. No Brasil, o Ka está entre os três modelos mais vendidos e será o único representante dos automóveis da marca.

O Fiesta estreou na Europa em 1976 para concorrer com o Fiat 127, sucesso desde o início daquela década. Usava o famoso motor Kent nas versões 1.0, 1.3 e 1.6 que fez muito sucesso especialmente na Inglaterra, Espanha e Alemanha.

Em 1983 chegou a segunda geração que chegava a ter versões esportivas com motor 1.4 de 96cv. Só a partir de 1989, na terceira geração, ganhou carroceria de cinco portas o que permitiu a entrada em vários países como o Brasil.

por Marcos Camargo