Marcos Camargo
Historicamente a Renault sempre teve destaque com automóveis de proposta urbana com foco na economia de combustível. Em 1924 a marca francesa inovou ao lançar o primeiro carro com motor 1.0 do mundo, o NN. Nos anos 1930 foi a vez do Juvaquattre e depois da II Guerra, a partir de 1947, foi a vez do Renault 4CV que foi vendido no Brasil ao longo dos anos 1950, depois o Dauphine, o Renault 4 e o Twingo que está em sua terceira geração. Esses carros tem em comum a proposta de economia e eficiência, DNA presente no atual Kwid.
Renault Kwid Outsider. Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault
Para diversificar a gama a Renault lança no Brasil o modelo Kwid Outsider, novo topo de linha do subcompacto. O visual de proposta aventureira incorpora novos para-choques, barras de teto, o adesivo largo posicionado nas portas dianteiras e uma calota pintada em preto brilhante e que passa despercebido como se fosse uma roda de liga-leve. Os apetrechos deixaram o visual mais jovem mantendo as virtudes (e limitações) do subcompacto feito para uma boa aventura na cidade.
A bordo da novidade
O Kwid Outsider mantém as virtudes mecânicas das versões mais em conta. É bom de andar na cidade, com seus 3,68 metros de comprimento e 1,57 metros de largura que o fazem caber em qualquer vaga apertada na rua ou no prédio com espaços cada vez mais reduzidos. Ele é estreito e curto mas tem boa altura em relação ao solo (18cm) para vencer facilmente as valetas e buracos do dia a dia.
Fotos: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault
O motor SCe de três cilindros rende até 70cv (etanol) e fazem o Kwid andar rápido gastando pouco com média de 11km por litro com ar condicionado ligado, 12km por litro com ar desligado e até 12,5km em pista expressa (80km/h) e 14km na estrada (a 100Km/h). A agilidade do carrinho leve (798kg) é elogiável em qualquer condição de piso e mesmo com quatro pessoas a bordo (que viajam apertadas é claro), o ar condicionado dá conta do recado e o peso extra não compromete tanto o desempenho. O porta-malas de 290 litros comporta até mesmo malas grandes de 23Kg sem dificuldade. Ainda tem bancos rebatíveis que ampliam a capacidade de carga para 1.100 litros.
A simplicidade do Kwid fica menos evidente na versão Outsider que tem acabamento com detalhes em laranja acetinado presente nas portas, no volante e no pomo do câmbio assim como no banco que continua em peça única mas com três tipos de tecido. Mesmo que a quinta marcha acabe esbarrando no passageiro, a simplicidade e o alto nível de ruído do motor, o Kwid ganha adeptos e elogios ocupando hoje a quarta posição entre os mais vendidos do país.
Outra evolução foi a troca do Media Nav pelos sistema Media Evolution, que na prática é um upgrade do sistema e permite a conexão de smartphones Apple e Android com rapidez. Há conexão USB, auxiliar e também por Bluetooth. Mesmo sem um volante multifuncional, o Kwid tem comandos à mão graças ao seu tamanho e controlar a central é tarefa bem simples ao alcance da mão.
Em termos de segurança o Kwid Outsider mantém os equipamentos de todas as versões mais em conta e adota os freios ABS (obrigatórios) e distribuidor eletrônico de frenagem (EBD) inovando na adoção dos esperados freios a disco ventilados. Vem ainda com quatro airbags e sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis.
Garantia, preço e financiamento
O Kwid Outsider mantém ainda a garantia de 3 anos de toda a linha e as revisões a preço fixo até os 60.000km com custo total de R$ 2.320,00. O Kwid 2020 é vendido a partir de R$ 33,2 mil (versão Life) e chega até R$ 43,9 mil (Outsider). Há planos de financiamento pelo Banco Renault RCI com R$ 1.000 de entrada e 60X parcelas de 983. Outra opção é o plano “Troca Fácil” que prevê entrada de 43% do valor do Kwid, 36 parcelas de R$ 599 e parcela final de 35% sendo que neste caso o valor exemplificado refere-se à versão intermediária Zen. Os valores foram apurados em 12/06/2019.
O citadino perfeito

A Renault tem longa experiência em modelos eficientes feitos para a cidade. Em 1924 foi pioneira ao lançar o NN, um carro com motor de 951cc e 17cv, leve e econômico como poucos daquele tempo. Mantendo o estilo da época com dianteira destacada, era pequeno com 3,55m de comprimento e muito à frente dos carros de sua época, que eram muito maiores, mais potentes e gastadores de gasolina.
O sucesso do NN levou a Renault a explorar um segmento que a Ford tinha muito destaque: os modelos de entrada, ganhando boa parte do mercado do Ford T e depois do Ford A na Europa. O NN também serviu de base para outros carros como uma pickup e ainda versões mais longas, logo chamadas de Limousine, como era comum na época.
Em 1937 foi a vez do Juvaquattre, que tinha motor de 845cc a 1003cc de 23cv e foi o primeiro carro a originar uma família inteira de veículos como a pickup, o furgão e uma van apelidada de Dauphinoise que a partir de 1950 foi rebatizada como “Renault Break 300Kg”. Abriu espaço para o lançamento do inovador Renault 4 nos anos 1960.
Nesse intervalo a Renault lançaria outro carro inovador pela eficiência, o Dauphine. Um sedã pequeno, com motor de 845cc e 26cv chegando a até 40cv nos anos 1960, foi o carro que iniciou o processo de internacionalização da marca Renault sendo produzido na Europa a partir de 1956 e em países como o Brasil de 1959 a 1968. Por aqui tivemos o Dauphine que era conhecido pelo baixo consumo de combustível e o Gordini, sua evolução, que teve motor de 40cv. O motor e a base do Dauphine/Gordini rendeu uma família inteira de veículos esportivos como o Alpine, o Renault 8 e 10 e modelos icônicos como o Floride.
Em 1961, o Renault 4 foi inovador no formato que precedeu as minivans, no múltiplo espaço interno, no tamanho compacto e na economia de combustível. Com mais de 8 milhões de unidades comercializadas, foi produzido em 17 fábricas ao redor do mundo. Era 22cm menor que o atual Kwid mas a proposta era a mesma dos citadinos Renault. Teve motor de 600cc a 1000cc, e só deixou de ser produzido nos anos 1990 na Europa sendo que a última unidade foi montada na Eslovênia em 1994.
O Renault Twingo conviveu com o Clio durante toda a sua vida, e segue assim até hoje. Porém foi inovador em 1992 com sua carroceria monovolume com múltiplo espaço interno e motor 1.2 de 56cv conhecido pela baixa manutenção e rendimento de até 20Km por litro. Está na sua terceira geração e é produzido até hoje.
por Marcos Camargo