São poucos os sobreviventes da primeira geração de Fuscas que desembarcaram em setembro de 1950 no Porto de Santos, oriundos da Alemanha que se recuperava rapidamente após a II Guerra Mundial.

As vendas eram feitas pela Brasmotor que, à época, era uma empresa do grupo Chrysler, que reforçava as características de inovação e durabilidade do carro com “sistema elétrico Bosch”, “refrigerador de óleo que dispensa arrefecimento adicional à água” e outros predicados que todo dono de Fusca conhece bem hoje em dia.

Os Fuscas e algumas Kombis chegaram aqui avaliados em 20 mil cruzeiros mas a grande procura fez o preço deles triplicar e os carros eram vendidos ali mesmo, enquanto a Volkswagen já tinha planos para o carro e sabia que nossas estradas ruins iriam receber seu projeto muito bem. Era questão de (pouco) tempo.

No último Auto Show Collection, a Noite do Fusca revelou na Avant Premiére um raríssimo exemplar 1950 conservado em impecável estado e originalidade. O evento teve como anfitrião o Fusca Clube do Brasil, que gentilmente recebeu outros clubes da capital, grande São Paulo e interior em um evento recorde de público na temporada 2019.

O Fusca 1950 que desta matéria pertence ao primeiro lote de veículos que chegou ao Brasil. É o número 18 de 30 unidades alemãs e que ficou durante décadas nas mãos do colecionador Og Pozzoli (1930-2017). Hoje nas mãos do Fusca Clube do Brasil, é o sonho de qualquer fã do besouro e esbanja originalidade.

O carro tem motor 1100 de 26cv e o câmbio de quatro marchas não sincronizadas, o que torna o trabalho de guiá-lo mais difícil mas não menos prazeroso. Os pneus aro 16 com as típicas calotas ovais que o consagraram, dão um charme a mais ao carro na cor verde musgo. Na hora de dar a partida, ainda que o motor do Fusca seja reconhecido pelo barulho, há um silêncio inesperado, graças ao excelente estado do carro.

Por dentro é essencial em tudo mesclando tecido lonado em tom bege. No painel, dois porta-objetos que deram origem ao nome que conhecemos hoje: porta-luvas, uma vez que em países frios com a Alemanha, usar luvas ajuda na tarefa de conduzir o carro em dias de inverno rigoroso. Há velocímetro e um relógio, ambos na posição central, e nada além disso.

A história do carro antes de pertencer ao acervo de Og Pozzoli, é desconhecida, mas certamente o colecionador reconheceu de longe o potencial do carro por pertencer aos recém chegados ao Brasil. Depois de Og, o Fusca 1950 pertenceu a outro colecionador que o restaurou, ficou alguns anos longe dos eventos e agora faz parte do acervo do Fusca Clube do Brasil, o mais antigo clube de fãs do besouro em atividade no país.

A história do clube também começou em meados dos anos 1980 nos eventos organizados pela Matel Produções, organizadora da então Feira Livre do Automóvel, com um festival que reunia exposição de carros nacionais antigos. Um dos colaboradores desse projeto era o próprio Og, que frequentou todos os eventos da época e também fazia questão de estar presente no Auto Show Collection quando podia.

A Noite do Fusca reuniu cerca de 400 unidades do besouro de todos os modelos, estilos e tendências. O desfile mostrou modelos originais e até alguns customizados e mesmo sob o frio intenso dessa época do ano, o evento ficou cheio e atraiu milhares de pessoas ao sambódromo do Anhembi.

O próximo evento será a Noite do Gol Quadrado, dando início à Maratona de Férias do Collection com cinco eventos, um por semana em homenagem a outros modelos como a Kombi, Opala, Mustang e Clássicos Ford (Galaxie, Maverick, Corcel e Escort) e Carros Modificados. Confira a programação.

por Marcos Camargo Jr