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A semana começou agitada no mercado automotivo mundial. Logo pela manhã de hoje (27), o Grupo FCA (Fiat Chrysler Automobilies) divulgou um comunicado que confirma ter feito uma proposta de fusão com a Renault. Poucas horas depois a montadora francesa se posicionou em nota informando que o Conselho de Administração se reuniu e decidiu “estudar com interesse a proposta”.

A proposta feita pela FCA para a Renault diz que o novo grupo pertenceria 50% aos acionistas da empresa ítalo-americana e 50% aos acionistas da montadora francesa.

Caso a montadora francesa aceite os termos, a parceria se transformaria no terceiro maior grupo automobilístico do mundo, com vendas anuais superiores a 8,7 milhões de veículos. O grupo ficaria atrás apenas da Volkswagen, com vendas anuais em torno de 10,6 milhões e Toyota com 10,59 milhões.

Atualmente a aliança entre Renault-Nissan e Mitsubishi é a maior do mundo, chegando a comercializar cerca de 10,9 milhões de veículos por ano.

Em visão de mercado, a parceria seria benéfica para ambos os lados. A Renault tem tecnologia adiantada para o estudo e desenvolvimento de motores elétricos, que está cada dia mais em pauta e o Grupo FCA, além de ter boa participação no mercado norte-americano, tem veículos 4×4, mercado ainda inexplorado pela Renault.

Quem ganha com a parceria?

Falando em veículos, hoje a Renault tem em seu portfólio nacional modelos como Kwid, Sandero, Logan, Duster, Oroch, Captur e Zoe. Eles competem com Mobi, Argo, Cronos e Renegade. Se formos analisar somente o mercado brasileiro, percebemos que o SUV mais barato da FCA é o Renegade, que hoje custa a partir de R$ 69.990. Já o Renault Duster, custa a partir de R$ 59.990 deixando o Captur em um “andar de cima” a partir de R$ 69.990,00.

No quesito picapes, a Renault tem apenas um veículo, a Duster Oroch. Em uma análise fria, podemos falar que é um “Duster de caçamba”. Já a FCA trabalha com a Fiat Toro, sucesso de vendas no Brasil, além de uma ampla linha de modelos 4×4. Em comum, os dois produtos são fabricados com carroceria monobloco. No segmento de picapes médias, a Renault tem a possibilidade de lançar a Alaskan no Brasil, uma derivação da Nissan Frontier, enquanto a Fiat não atua no segmento ainda.

Em termos de modelos elétricos só a Renault tem experiência e projetos mais avançados de produto, assim como a Nissan que atua nesse segmento desde 2011. A Fiat Chrysler já não tem projetos tão avançados de veículos híbridos ou mesmo elétricos nos países onde atua.

Na última semana o Grupo ítalo-americano divulgou um grande investimento para a fabricação de motores turbo, item que seus concorrentes já trabalham há um bom tempo. A Renault não tem motorização turbo ou planos de lançá-la por aqui, pelo menos atualmente.

A princípio, os dois grupos passam a compartilhar projetos que tendo em vista a eletrificação da matriz energética e o alto custo para desenvolvê-la, ter aliados ajuda a dividir a conta e viabilizar novos produtos em um tempo menor.

 

Guilherme Magna