Os carros de polícia dos Estados Unidos vivem no nosso imaginário, acostumado a ver cenas de perseguição em praticamente todos os filmes de ação de Hollywood. Maiores do que os nossos, os carros norteamericanos seguiram por décadas a receita do motor V8 traseiro e uma carroceria de dimensões bem generosas, sempre derrapando e às vezes voando pelas cenas de perseguição em alta velocidade.

Quem nunca viu uma cena onde o policial aplica a técnica PIT (sigla de Precision Immobilization Technique, ou manobra precisa de imobilização) quando o carro bate na traseira do veículo perseguido para fazer o motorista da frente perder o controle?

Assim, o carro preferido pelos policiais das ruas até hoje é o Crown Victoria. O sedã full size saiu de linha há quase sete anos mas ainda há milhares de viaturas rodando nas terras do Tio Sam. O “Crown Vic” também foi um carro de passeio de muito sucesso e embora tenha sido lançado em 1992 com este nome, é uma evolução dos carros denominados “full size” que surgiram ainda nos anos 1950 nos Estados Unidos. (confira a história abaixo)

Em 1992 o Ford Crown Victoria e também o Taurus passaram a substituir o Chevrolet Caprice, que durante os anos 1980 foi o queridinho dos policiais. Antes dele, o LTD da Ford, o próprio Caprice e também o Dodge Monaco foram usados nas forças policiais.

Veja esta viatura, outras viaturas dos Estados Unidos e mais 12 atrações do próximo Collection.

Carro dos sonhos

O carro que ilustra essa reportagem é o Crown Victoria do administrador de imóveis Eduardo Tai, que além de colecionador e admirador da marca Ford, mantém na garagem duas unidades do Ford Taurus. Fã das cenas de perseguição de cinema, Tai sempre quis montar sua própria viatura de polícia para sair desfilando pelas ruas. O único inconveniente é que Tai mora no Brasil e foi difícil encontrar o material que adorna as viaturas nos Estados Unidos como luzes estrobo e auxiliares, emblemas, terminal móvel entre outros. Para resolver isso, o administrador foi adquirindo, pouco a pouco as peças via Ebay.

“Eu vi o anúncio dele numa sexta-feira, mesmo dia que a pessoa anunciou. Marquei de ver no sábado pela manhã. Vi, gostei, mas o vendedor avisou que se eu não ficasse com o carro havia um comprador de BH que já ia mandar o guincho buscar. Era de único dono, cujo pai ganhou de presente do genro o carro ainda zero quilômetro”, conta Eduardo Tai.

Sucesso de mercado 

O Crown Victoria é uma evolução do sedã norteamericano, cuja história começa com automóveis de passeio dos anos 1950. Em 1955 a Ford introduz a nona geração de automóveis de passeio e passa a usar nomes que se consagraram como Fairlane (sedã), Ranch Wagon (perua) e Crown Victoria ocupando a posição de topo de linha. O motor V8 de série, ar condicionado, vidros elétricos e direção hidráulica eram itens já obrigatórios nesta época e os modelos se consagraram no mercado, época em que a economia norteamericana cresceu como nunca assim como as casas de subúrbio e as extensas freeways.

Em 1959 surge a denominação “Galaxie 500” na linha Ford, que evoluiu para o mesmo Galaxie fabricado no Brasil entre 1967 e 1983 inclusive com o motor V8 302, o mais utilizado da série até hoje (equipou o Mustang e veículos como o SUV Ford Bronco).

Nos Estados Unidos ele ganhou a denominação LTD em 1965, mas sempre manteve a denominação Crown Victoria para a versão mais cara e uma gama de motores V8 do 289 ao 460 (7,5 litros) que evoluíram mesmo durante a época da crise do Petróleo em 1973. De 1965 a 1978 foram 10 milhões de unidades fabricadas destes sedãs Ford.

Nova base 


Em 1979 o Crown Victoria ganhou uma nova plataforma, a Panther. Fabricado no Canadá desde então, o Crown Vic também dava origem ao Mercury Grand Marquis, uma das divisões Ford e também ao luxuoso Lincoln Town Car, que já existia desde os anos 1960. Diferente da concorrência que chegou a usar motores de até quatro cilindros em seus automóveis, a Ford nunca abriu mão do V8 no Crown Victoria e em toda a linha de sedãs full size. Ao longo dos anos 1980, porém o carro foi perdendo espaço para automóveis mais modernos, fabricados com carroceria monobloco, mais leve, como o Taurus, introduzido nos anos 1980.

Em 1990 as vendas do carro não chegavam a 100 mil unidades por ano, números bem inferiores aos dos anos 1970, quando a Ford deu nova vida e uma nova carroceria ao Crown Victoria.

Nesta época a polícia usava o Chevrolet Caprice e a linha Ford ganhou a preferência tanto para os compradores comuns, quanto os do governo. O Crown Victoria mudou pouco desde então e sempre manteve atenção ao seu fiel comprador, o norteamericano médio que queria um carro espaçoso, potente e confiável com baixo custo.

Ao longo dos anos as vendas dele vinham caindo após o auge de 95 mil unidades fabricadas em 2001 para pouco mais de 30 mil unidades nos últimos anos. Apesar de ter saído de linha em 2011, algumas unidades ainda foram fabricadas em 2012 destinadas à exportação.

Na Noite dos Anos 1980 e 1990 o Auto Show Collection terá uma exposição de viaturas dos Estados Unidos além de clássicos destas duas épocas lembrando também filmes que fizeram sucesso como Robocop, personagens como Chuck Norris, Homem de Ferro e muitos outros.

por Marcos Camargo

imagens: NYPD, Eduardo Tai (arquivo pessoal) e divulgação Ford.