O Fiat Argo Trekking lançado hoje no Brasil mostra que a busca por modelos de apelo aventureiro está longe de terminar. Esse  perfil de veículo oferece maior vão livre em relação ao solo, geralmente algum ajuste de suspensão e acabamento diferenciado mesmo que a motorização e transmissão sejam as mesmas das versões comuns.

Assim, a Fiat, que vem se destacando com o Argo este ano (o compacto é o sexto colocado nas vendas segundo a Fenabrave) aposta na ampliação do mix para que ele suba para a quinta posição ainda este ano.

O Argo Trekking ganha visual um pouco mais parrudo: tem além do esperado emblema da versão, o acabamento interno na cor preta, para-choques traseiros com recorte diferenciado, moldura nas caixas de rodas, teto e aerofólio na cor preta, pneus mistos Pirelli Scorpion ATR aro 15, molas e amortecedores recalibrados e suspensão 4cm mais alta. Longe de ser um “Adventure”, o Argo Trekking quer mesmo impressionar pelo custo benefício que é aliás bem favorável: motor 1.3 firefly de 109cv, câmbio manual de cinco marchas e itens de série que inclui além do visual diferenciado o sistema multimídia Uconnect 7, sensor de estacionamento traseiro, retrovisor elétrico e guia LED nos farois. Com preço a partir de R$ 58,9 mil, tem opcionais como rodas de alumínio por R$ 1.590 e a útil câmera traseira de R$ 700.

Mais barato que os concorrentes como Chevrolet Onix Activ, Hyundai HB20X, Renault Sandero Stepway e Ford Ka Freestyle, mostra que a intenção da Fiat encontra eco no crescimento da marca este ano.

Tivemos um primeiro contato com a novidade que mostrou o habitual vigor do motor 1.3 firefly ainda que os engates do câmbio manual ainda sejam longos como de costume. A FCA não confirma mas o carro deverá ganhar opção de câmbio CVT em breve. Ponto alto para o silêncio a bordo, mesmo com os novos pneus mistos bem borrachudos. Faltam controle de estabilidade e tração que seriam argumento de vendas e ponto a mais no quesito segurança. O interior preto deu um ar jovial ao Argo que vem bem equipado de série incluindo sensor de ré e sistema Uconnect 7. A suspensão 4cm mais alta provou ser uma qualidade em terrenos irregulares já que a vocação do Argo Trekking é mesmo uma boa valeta ou quebra-molas.

De onde vem a linha Trekking?

A história da linha Trekking vem de longe, para ser preciso em 1995. Na época, como forma de diferenciar a linha Fiorino, que mantinha quase o mesmo visual desde 1988 quando chegou ao mercado ainda como Uno Pickup. A Fiorino Trekking tinha o foco voltado ao lazer com grandes adesivos na lateral e o emblema da versão em destaque. A motorização era a mais moderna possível na linha Uno: 1.5 MPi com injeção eletrônica multiponto.

Chegou a ter a versão limitada MTV, em 2001, com direto a rodas especiais e mais um adesivo da extinta rede de televisão que dialogava bem com o público jovem.

Em 1998, chegou a conviver com a estreante Strada que também chegava com a versão Trekking, intermediária. O motor era 1.6 8V de 92cv. No entanto, para quem gostava do estilo jovial, a decepção era o fim do acabamento colorido. Em 2002, com a Nova Strada, a Fiat voltava sua atenção para a versão Adventure que repetia o mesmo acabamento da Palio Weekend na Strada, enquanto a Trekking ficou para o segundo plano mesmo seguindo firme nas vendas.

A partir de 2005 voltava a ganhar acabamento diferenciado com parachoques destacados em plástico preto, rack no teto e a cabine simples ou estendida. O motor era 1.8 8V originário da GM. A partir de 2009 passa a contar também com o Fire 1.4 de até 86cv.

Em 2008 a onda Trekking contagiava também a Palio Weekend que vivia seus melhores tempos na montadora de Betim. Se diferenciava pela moldura nas caixas de roda, farois escurecidos e barras longitudinais no teto. O motor era 1.4 Fire de 86cv. Em 2010 foi substituída pela versão 1.6 com motor e.TorQ de 115cv.