O lançamento do T-Cross, SUV compacto construído sob a plataforma MQB (a mesma do Polo) recolocou a Volkswagen em um caminho de inovação para o mercado brasileiro. Ao longo da história a marca introduziu novidades como o Volkswagen 1600 quatro portas, o Brasília, mais tarde o Gol 1.0 turbo 16V e tantos outros (confira abaixo) sendo alguns desenvolvidos aqui ou aprimorados ao gosto nacional.

No caso do T-Cross, fabricado em São José dos Pinhais/PR fruto de um projeto mundial e disponível com motor 1.0 TSi de 128cv e também com o 1.4 TSi de 150cv, a elogiada motorização aplicada no Polo, Up!, Jetta e Tiguan All Space, não é exatamente uma novidade. A proposta do utilitário esportivo compacto é nova, colocando a Volkswagen para brigar com um universo de concorrentes especialmente na faixa dos R$ 80 aos R$ 110 mil. Ainda assim muitas diferenças existem entre as versões fabricadas para a Europa, China e Ásia e o Brasil. Nosso modelo tem 2,62mm de entreeixos (o europeu tem 2,56m), a dianteira levemente atenuada e itens de segurança a menos (controle de cruzeiro adaptativo, freio automático para pedestres não temos por exemplo) mas o T-Cross obteve pontuação máxima no Latin-NCAP.

T-Cross 200 TSi no Feirão Auto Show

 

Testamos a versão 200 TSi Comfortline, com motor 1.0 turbo (20,4kgfm) que tem desempenho adequado com muita disposição entre os 2.000 e 3.000rpm. Suspensão precisa com curso à medida, controle de estabilidade, direção elétrica progressiva, espaço interno generoso com uma solução que amplia o porta-malas de 373 para 420 litros, tudo em uma “embalagem” compacta.

T-Cross 200 TSi no Feirão Auto Show: curiosidade e olhos atentos à novidade – imagem Auto Show

 

O T-Cross tem acabamento simples e cheio de plásticos sem refinamento, mas o nível de equipamentos é interessante começado pelos seis airbags e controle de estabilidade, itens de série. A versão avaliada tem controle de cruzeiro, ar condicionado digital dual zone com função automática, teto solar panorâmico, retrovisores elétricos com rebatimento, chave presencial com partida de botão, shift paddles no volante, câmera de ré, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, alavanca de câmbio revestida de couro, banco do motorista com ajuste lombar, multimídia Discover Media com navegador GPS, tela de 8 polegadas, comando por voz e entrada USB no console central, iluminação interior em LED e seletor do modo de condução (Eco, Normal, Sport e Individual).

interior da versão Comfortline – imagem Divulgação

 

Ao levarmos o T-Cross para o Feirão Auto Show, em pleno domingo, o carro arrancou elogios do público pelo perfil sisudo, distante do desenho arrojado adotado por modelos de origem asiática, o bom espaço interno e o nível de acabamentos. O preço da versão avaliada é R$ 99 mil, mas o T-Cross custa a partir de R$ 84,9 mil na versão manual com o mesmo motor 1.0 TSi.

espaço modular e recurso que amplia o porta-malas de 373l para 420l – imagem Auto Show

 

O T-Cross tem tudo para ser um sucesso e a Volkswagen tem um histórico de inovação no país usando bases já conhecidas. Embora a novidade seja um modelo global que inclusive obteve nota máxima de segurança no Latin N-CAP, modelos brasileiros marcam a trajetória da VW que veremos a seguir:

Inovações made in Brasil

proposta interessante mas de curta duração: de 1969 a 1971

 

A partir de bases já conhecidas a Volkswagen sempre trouxe mudanças e novos modelos ajustados para o mercado brasileiro. Nos final dos anos 1960, ao notar que precisava ir além do Fusca e da Kombi, a marca desenvolveu aqui o 1600 4 portas. O carro era um três volumes bem definido, usando base do modelo consagrado e o motor 1600 de 50cv com câmbio de quatro marchas, mas que teve vida curta no mercado, de 1968 a 1971. Era inovador ao oferecer um porta-malas na frente e um compartimento menor atrás, que fez sucesso entre os taxistas mas não agradou o público em geral.

VW SP2 : câmbio longo e esportivo com motor de 1700cc

 

Outra inovação usando a velha base dos motores refrigerados a ar era a dupla de esportivos SP1 e SP2. Produzidos de 1972 a 1976, o carro de maior sucesso era o SP2 com motor 1700cc de 75cv, câmbio alongado e um desenho arrojado com dianteira longa e traseira curta, visual inspirado na linha Porsche. Desenvolvido no Brasil é objeto de desejo entre os colecionadores e muitas unidades deste carro foram enviadas para a Europa.

O monovolume Brasília foi inovador não só pelo desenho mas pelo sucesso comercial. Também tinha a base do Fusca, o motor refrigerado a ar e o câmbio de quatro marchas… mas o espaço interno, quanta diferença. Oferecia porta-malas sob o capô e mais um espaço na traseira, sobre o motor.

Nos anos 1980, em meio a uma forte crise econômica que abalou o setor automotivo (e muitos outros), a Volkswagen marcou terreno ao iniciar a fabricação de caminhões no país. Em 1979 a montadora adquiriu as ações da Chrysler e usou a planta da extinta linha de veículos da montadora norteamericana para fabricar caminhões. Em janeiro de 1981 saia da linha de produção o 13130 com motor MWM e câmbio Clark. Alguns caminhões eram equipados com motores de produção Dodge: V8 318 abastecidos com etanol, apelidados de canavieiros.

Em 1980 a Volkswagen também lançou o Gol, que apesar do desenho moderno ainda usava o velho motor refrigerado a ar do Fusca, inicialmente o 1300 e depois o 1600 com dupla carburação. O estilo do Gol era uma releitura de baixo custo de modelos esportivos da VW e do próprio Passat. No final dos anos 1980 o Gol GTi estreava a injeção eletrônica, outra inovação inédita por aqui que demoraria a se popularizar.

Em 2001 a Volkswagen nadava de braçada com as vendas em alta do Gol G3, que na verdade ainda era a segunda geração do compacto. Na época estreava o motor 1.0 16V Turbo, que chamou a atenção mas não foi um sucesso comercial. Se tratava de um motor com comando de válvulas variável, com 112cv e 15,8 kgfm de torque suficiente para alcançar a velocidade máxima de 192 km/h. O dono de Volkswagen, sempre acostumado a motores 8V que usavam lubrificantes mais espessos não entendia que a nova motorização requer um certo cuidado e aplicação de óleo sintético e o carro ficou com má fama, assim como muitos motores 16V até hoje. Mas que foi uma inovação, sem dúvida, foi.

No Auto Show Collection, vários eventos em homenagem aos clássicos Volkswagen mostram a paixão dos colecionadores pela marca como a Noite do Fusca, da Kombi, do Gol Quadrado e Família Volkswagen.

Por Marcos Camargo Jr