Toyota Divulgação

A Toyota apresentou hoje no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo a 12ª geração do Corolla. Ano passado a montadora já havia anunciado que teríamos por aqui o “primeiro carro híbrido flex do país”, e, para muitos a aposta seria o Prius, mas a história mudou, quando a Toyota apresentou o novo Corolla.

O modelo foi apresentado com configuração a combustão e também na inédita versão híbrida flex, ou seja, pode ser abastecido com etanol ou gasolina e ainda terá o reforço do motor elétrico. O carro será montado sobre a plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture), que já equipa veículos da marca como o Prius, o SUV compacto C-HR e o sedã Camry.

A Toyota não divulgou o preço do carro, mas confirmou que a fabricação será feita na planta da fábrica de Indaiatuba (SP) e chegará às concessionárias no último trimestre deste ano.

Motorização

A Toyota ainda não divulgou oficialmente qual será a motorização presente no novo Corolla híbrido. Se seguirmos o modelo que é vendido na Europa, a versão híbrida chega equipada com motor a combustão de 98cv e 14,5kgfm abastecido com gasolina, que funciona combinado com um motor elétrico de 72cv, que somados entregam 122cv e um consumo médio de 29,4km/l. O câmbio é automático do tipo CVT.

Já a configuração tradicional será equipada com um motor 2.0 recalibrado e agora com injeção direta que rende 170cv.

História

Durante o anúncio oficial o presidente da Toyota Brasil, Rafael Chang, comentou sobre o Corolla. “Nos últimos 50 anos, o Corolla foi sinônimo de confiabilidade, segurança e qualidade. Com essa nova geração, queremos que ele seja reconhecido também como símbolo de modernidade e, acima de tudo, como uma nova forma de mobilidade. Somos entusiastas de motores eletrificados e precursores da disseminação em massa dessa tecnologia. Agora, estamos mais uma vez fazendo história, trazendo a propulsão híbrida flex para um dos maiores ícones da indústria automotiva”.

O presidente Cheng está certo usando o link histórico para justificar a compra do sedã. “Vou comprar um Corolla, porque carro japonês é confiável”, dizem seus compradores em uníssono. Pois essa história é antiga e começa na década de 1960 quando a Toyota resolveu lançar o “Coroa de Flores” tradução direta do Corolla, que vem do Latim. Naquela época o mercado externo para os japoneses ainda era incerto, como era a qualidade dos produtos, muito diferente do que é hoje. Antes do Corolla, a Toyota tinha experiência em fabricar carros urbanos e compactos.

História

Tatsuo Hasegawa, chefe de desenvolvimento do primeiro Corolla, tinha na cabeça algo que tornaria o Corolla referência em seu segmento. Para ele e para a Toyota o Corolla precisava ter 80 pontos de 100 possíveis nos aspectos que mais chamavam atenção dos consumidores. Isso não foi uma tarefa fácil, exigiu meses de trabalho de Hasegawa e sua equipe aprimorando projetos para chegar em um carro familiar apto para a cidade e para viagens e que fosse fiável e econômico.

Foram muitos protótipos e muitas alterações, até que em novembro de 1966 o sedã-compacto de duas portas medindo 3,85m de comprimento e 2,28m de entre eixos, chegou às lojas. Com motor 1.1 de 60cv e 8,5kgfm de torque era sisudo no estilo e racional na construção. O carro logo caiu nas graças dos consumidores e em apenas três anos virou líder de mercado no Japão. Mas a Toyota queria ir muito além. Em dois anos o Corolla já chegava aos Estados Unidos, ainda de forma tímida e com muita desconfiança de um comprador conservador e cético com marcas japonesas.

A primeira geração durou de 1966 até 1970, quando o Corolla bateu a marca de um milhão de unidades fabricadas. Neste ano, a Toyota lançou a segunda geração do Corolla, um pouco maior que a primeira, pulando para 3,94m de comprimento e 2,33m de entre-eixos. Houve também uma atualização no motor. Agora o Corolla tinha um motor 1.4 de 86cv e 11,7kgfm de torque, mesmo motor que equipava o Celica e o Carina. A esta altura, era vendido na Europa com sucesso na Inglaterra e até na Oceania mas ainda em pouco volume.

Nessa segunda geração, o Corolla era vendido nas configurações sedã e perua. Em 1972, a Toyota lançou o Corolla Levin, que tinha uma carroceria cupê e motor 1.6 2T-G de 115 cv e 14,5 kgfm de torque.

A terceira geração chegou em 1974 e durou até 1979. Nessa ocasião, o diretor do projeto era o Shirou Sasaki, que teve uma ideia que iria colocar o Corolla em um patamar mundial. Ela consistia em aprimorar ainda mais o que era elogiado no sedã e iniciar o processo de exportação. Favorecido pela crise do petróleo que encareceu o preço da gasolina após 1973, o Corolla entrava como opção racional e de boa qualidade. A estratégia deu certo e o modelo foi o primeiro a ter mais de 300 mil unidades exportadas anualmente do Japão para todo o mundo.

No design o carro tinha crescido ainda mais alcançando o tamanho de 3,99m de comprimento e 2,37m de entre-eixos. Nos motores pouca coisa mudou, mas devido às leis de emissão da época foi acrescentado o motor 1.3. Houveram também, alterações no câmbio, que passou de um manual de quatro marchas, para um automático de três como opcional. Essa mudança também mirava os Estados Unidos, o que ajudou a impulsionar a marca.

A quarta geração veio em 1979, quando o Corolla ultrapassou o Golf entre os carros mais vendidos do mundo. Nessa época mais de 500 mil carros eram exportados anualmente. O carro que unia luxo e economia de combustível, definitivamente havia conquistado o mundo.

Na quarta geração o modelo era comercializado em cinco tipos de carroceria: sedã de duas e quatro portas, hardtop, liftback e van. O tamanho aumentou novamente para 4,05m de comprimento e 2,40m de entre-eixos. O motor 1.8 diesel também fez sua estreia esse ano para ampliar a presença do Corolla na Europa.

Em março de 1983, a Toyota anunciou a quinta geração do Corolla. Neste mesmo ano, o carro bateu a marca de dez milhões de carros produzidos.

Como de costume, o carro cresceu mais um pouco chegando a 4,18m de comprimento e 2,43m de entre-eixos. Nos motores nada mudou.

A sexta geração do carro chegou em 1987 com oito centímetros a mais de comprimento. Todas as versões passaram a ter tração dianteira. A única exceção ficou com a versão 4×4 equipada com motor 2.0 turbodiesel. Nessa época o Corolla deixava o porte de sedã pequeno e passava a buscar o posicionamento como carro médio, embora abaixo do Camry, a esta altura um grande sucesso nos Estados Unidos.

Chegamos na sétima geração, a primeira que desembarcou aqui no Brasil em 1993. O modelo que apresenta linhas arredondadas e não mais retas, chegou como sedã e perua. O motor era 1.6 de de duplo comando de válvulas variável e 160cv. A estreia foi tímida mas com uma boa reputação de carro mundial, sucesso nos EUA, Japão e em toda a Europa. Apesar do sucesso na América do Norte, a nova geração do Camry alcançou o Corolla nessa época, fruto do motor V6 3,0 litros que era preferência do público. Além do Corolla também existia o Corona em alguns mercados e também o Avalon.

A oitava geração chegou em 1995, com visual polêmico, criticado em todo o mundo. A Toyota filtrou as críticas e em 1998 lançou um novo modelo, ainda na oitava geração. Nessa altura do campeonato, o Corolla já estava sendo produzido em Indaiatuba, interior de São Paulo. Por aqui, o modelo foi fabricado apenas como sedã quatro portas.

A nona geração foi um divisor de águas para o mercado brasileiro. O modelo que chegou nos anos 2000 tinha visual totalmente reformulado, em relação a geração anterior e mais itens de série. O carro chegou aos 4,53m de comprimento e 2,60m de entre-eixos e uma inédita versão perua que foi batizada de Fielder. Com comercial exibido no mundo inteiro protagonizado pelo ator Brad Pitt, o carro decolou nas vendas.

2003 Toyota Corolla LE

A motorização 1.8 de 136cv e 17,5 kgfm de torque também foi um item que ajudou a alavancar as vendas do modelo pela economia e bom desempenho além da baixa manutenção.

A décima geração chegou seis anos depois e durou sete anos (2013). O modelo passou por um novo facelift, mas não teve alterações na carroceria. Nessa geração a montadora japonesa acrescentou a motorização 2.0 de 142cv e 19,8kgfm. O ponto negativo do carro ficou com o câmbio automático de quatro marchas, já considerado antiquado.

Por fim, a 11ª geração. Novamente com visual renovado, o entre-eixos chegou a 2,70m. Os motores foram mantidos. A grande alteração ficou com o câmbio automático CVT.

Hoje o Corolla é o carro mais vendido da categoria no mundo e historicamente o automóvel mais vendido entre todos os segmentos. Pouco mais de 40 milhões de unidades já foram fabricadas desde 1966.

por Guilherme Magna