imagem GM divulgacao

 

Não há dúvida que o Chevrolet Opala é o carro da marca mais idolatrado no mercado brasileiro. Fruto de um projeto da Opel europeia, sua evolução ao longo de 23 anos no país como “carro de desejo” especialmente nos anos 1970 e 80 fez dele um veículo inesquecível. Desde o Opala quatro portas, o cupê ou a perua Caravan, cada um tem sua versão preferida do clássico General Motors.

imagem Auto Show Collection

 

 

 

 

 

 

Em abril de 2019 o Opala completa 27 anos fora da linha de produção, mas para alguns públicos ele segue vivo. No Auto Show Collection, o maior evento do ano é justamente a Noite do Opala que será repetida este ano em julho.

Por isso listamos aqui 15 curiosidades que fizeram do Opala uma lenda viva mesmo quase três décadas longe da linha de produção:

Aprimorado nas pistas

 

 

 

 

 

 

O projeto 676 do Opala era derivado do Opel Rekord C mas várias mudanças foram promovidas naquele carro para se adaptar ao estilo brasileiro. Para isso na fase de desenvolvimento a GM contratou o piloto Ciro Cayres que rodou milhares de quilômetros com carros pré-série em 1966 e 1967. O jovem piloto recomendou que a GM deixasse o conjunto mais confortável porque a suspensão da versão europeia era muito “dura”. Outra mudança era ajustar a relação do câmbio de três marchas com o motor 2,5 litros de 125cv para aproveita-lo ao maximo.

 

 

 

 

 

 

 

 

No final dos anos 1970 o Opala estreava na Stock Car que levou milhares de pessoas aos autódromos brasileiros e que até hoje se repete na Old Stock Race, realizada em varias etapas no Autódromo de Interlagos.

Queda de braço

A GM do Brasil tinha duas correntes para definir qual carro seria lançado no Brasil, que por pouco não foi o Opala que conhecemos. Uma corrente apostava que a Chevrolet deveria lançar aqui o Impala, que fazia um tremendo sucesso nos Estados Unidos. Outro grupo, com visão voltada para a escola europeia, apostava em um carro pequeno. Na segunda metade dos anos 1960 o custo da gasolina não era um grande problema, mas a economia instável no Brasil fez a Chevrolet optar pelo projeto do Opel Rekord. Esta era a opção mais racional e que permitiria o uso de um motor menor, até mesmo um quatro cilindros, algo que o Impala não permitiria. A ideia de um carro menor ficaria para mais tarde, o Chevette, em 1974.

Mistura de estilos

Os fãs consideram o Opala um carro perfeito mas ele é de fato uma mistura de projetos. O motor seis cilindros 2,5 litros era usado em verdade desde os anos 1930 em modelos utilitários e automóveis e seguiu com o Opala. O projeto em si era do Rekord C, lançado pela Opel em 1966 com design assinado por Hans Mersheimer. O conjunto de atualizações visuais promovido no modelo brasileiro foi inspirado no Chevy Nova, considerado modelo de entrada nos EUA. Mais tarde, o conjunto de lanternas arredondadas aplicado ao Opala foi inspirado no Impala mas com duas lanternas, enquanto no modelo norteamericano sempre foram três peças.

Carro global ou tupiniquim

Os críticos vão dizer que Opala só foi vendido no Brasil, o que em parte é verdade. Mas a versão fabricada em São Caetano do Sul foi exportada para quase toda América do Sul. O Opala chegou ao Chile, Paraguai e Uruguai, Colômbia, México e outros países. O Opel Rekord C de 1966 foi fabricado na Alemanha, Suíça e na Malásia.

Em alguns países, onde era vendido, teve nomes curiosos como Ranger (África do Sul) e embora tenha saído de linha na Europa já em 1971, sua última versão da mesma geração foi vendida no Oriente Médio e na Ásia até 1978 e no Brasil até 1992.

Impulso de sucesso

 

 

 

 

 

 

 

O lançamento do Opala foi reforçado por um grande investimento de marketing que postergou até mesmo o lançamento de carros que já estavam prontos na ocasião como o Chevette (Opel Kadett). Os comerciais traziam celebridades como o famoso jogador Rivelino e a atriz Tonia Carreiro (1922-2018), o mais tarde, em 1974, o ator Ney La Torraca e a atriz Natahlia Timberg.

Comerciais grandiosos

No lançamento, o Opala foi içado para uma ilhota onde foi apresentado à imprensa no evento de lançamento. Houve muito risco em posicionar o carro neste local com um helicóptero tendo influência da maré e do vento. Algumas imagens foram usadas no comercial de lançamento.

Anos depois, em 1975, a GM promovia a linha inteira de automóveis no comercial rodado em Ouro Preto, Minas Gerais, onde os carros subiam pelas antigas alamedas da cidade até a Igreja na praça central. A cidade toda foi fechada por vários dias e o trânsito de veículos interrompido completamente. A divulgação ajudou a promover o turismo na cidade já naquela época.

Entre grandes

comparativo da revista Quatro Rodas em 1976

 

O Opala era um modelo médio posicionado como luxuoso no lançamento para o Brasil. Quando ele chegou, em 1968 como modelo 1969, concorreu diretamente com o full size Galaxie e o Dodge Dart, ambos com motor V8 enquanto o Chevrolet sempre teve motor seis cilindros em linha (e depois um quatro cilindros). Sua leveza deixava o seis cilindros tão ágil quanto os torcudos motores de oito cilindros. Mais tarde, nos anos 1970, o Opala concorreria também com o evoluído Alfa Romeo 2300 que já tinha cambio de cinco marchas e motor quatro cilindros com comando de corrente e com o Ford Maverick, especialmente o Opala cupê. Nos anos 1980 entraram em cena o Ford Del Rey, o Volkswagen Santana e o fogo amigo do Monza, que foi se tornou objeto de desejo da classe média após a metade dos anos 1980.

Super Sport ou “bancos separados”

imagem GM Divulgação

 

Ninguém sabe ao certo o motivo, mas em 1970 o lançamento do Opala SS cupê, com a elegância das duas portas sem coluna, fez o Opala ser ainda mais desejado. Historicamente SS significa Super Sport, de super esportivo. Mas a nomenclatura também poderia signifcar Separated seats, bancos separados, já que o Opala quatro portas tinha dois bancos inteiriços, como boa parte dos carros da época e o carro com bancos separados tinha um apelo de jovialidade. O Opala SS era a versão esportiva por excelência que depois teve também uma versão 4 cilindros, o SS4.

Ano de crise, ano do Opala

imagem GM Divulgação

Como sempre ocorre, quando há uma grande crise econômica, quem tem mais dinheiro continua comprando carros ainda que o mercado como um todo esteja mal das pernas. Assim ocorreu com o Opala. Em 1980, durante uma das graves crises econômicas do país onde havia carros modelo 1978 nas concessionárias, o Chevrolet Opala recém reestilizado vendeu 76,9 mil unidades. Foi o melhor ano do carro ao longo de suas duas décadas.

Prenúncio do fim nos anos 1980

No final dos anos 1980 e início dos anos 1990 o Opala dava claros sinais de cansaço  mas tinha seu púbico fiel. O Opala SL era a versão básica vendida a frotistas como a Polícia Militar de SP, os táxis de São Paulo e clientes menos abonados que gostavam do carro mas abriam mão de um acabamento melhor. No início dos anos 1990, com o governo Collor, a chegada dos importados iria acelerar o fim do Opala, e a GM reagiu rapidamente com o Chevrolet Omega.

Quase uma pickup

Com o lançamento da perua Caravan, em 1975, o Opala estava em plena forma. Internamente a engenharia da GM trabalhava no projeto V80 de uma pickup com a estrutura do carro médio, motor seis cilindros e tração traseira.

projeção e ilustração Quatro Rodas

 

Cogitou-se chamar o carro de Chevrolet El Camino, mesmo nome da utilitária derivada do Caprice nos Estados Unidos. A ideia foi abandonada e efetivamente a Fiat foi a primeira a lançar uma pickup derivada de um automóvel, o Fiat 147 pickup (depois City e posteriormente Fiorino). A pick-up baseada em um automóvel só viria com a Chevy 500, em 1983.

De coleção

imagem Pastore Collectors

 

A GM aproveitou a última safra do Opala Diplomata para caprichar no marketing. A série SE Collectors que teve 100 unidades era vendida com chave banhada a ouro, certificado de propriedade, fita com um vídeo com a história do Opala e uma pasta exclusiva em couro. Imediatamente o carro se tornou objeto de coleção entre os fãs do clássico.

Bom vinho

imagem GM Divulgação

 

No final dos anos 1970 estava disponível o interior na cor vinho, que foi chamado pela GM de Opala Chateau. O revestimento incluía a cor vermelha no revestimento das portas, carpetes e bancos no padrão navalhado e poderia ser incluído no Opala de Luxo. Painel e volante, no entanto, eram pretos. Na época não fez muito sucesso pois no mercado brasileiro interior colorido sempre foi associado ao mau gosto. Em 1988 a opção voltou mas também durou muito pouco.

Básico com estrela

imagem GM Divulgação

 

O Opala Silver Star, vendido entre 1982 e 1983 era uma opção com nome diferente e alguns itens a mais no acabamento porém baseado na versão mais simples do Opala. Em tempos de crise na sua simplicidade o Silver Star tinha cor Prata Azulado ou Verde Claro Silver Star. O interior era cinza e o motor era o 151 de 80cv com quatro cilindros e em 1983 vinha já com câmbio de cinco marchas e retrovisor do lado direito, rádio e borracha protetora dos para-choques entre outros itens. Na propaganda o Silver Star exibia também as rodas pintadas na cor do carro e o volante com a inscrição Silver Star ou Edição Limitada.*

*contribuição de Inês Inês, pelo Facebook.

Opala Las Vegas

imagem Clássicos Brasil

 

Em 1972 a GM trouxe o conceito do Opala Las Vegas. Meio teto de vinil branco, a cor verde menta, as rodas aro 14, retrovisores cônicos, bancos esportivos com encosto alto, console diferenciado e outros itens faziam parte do conjunto. Mas a ideia, como todo conceito, fica apenas nisso. No Comodoro o teto de vinil passou a ser opção bem como os bancos esportivos com encosto alto. Há somente um Opala Las Vegas sobrevivente no país.

imagem Revista Quatro Rodas

 

Aproveite a paixão pelo Opala e participe do maior encontro do país para apaixonados pelo Clássico Chevrolet em julho. Conheça também a programação completa do evento e nas redes sociais.

 

por Marcos Camargo