Em 1966 o Brasil já tinha dez anos de experiência fabricando automóveis. O primeiro, a perua DKW Universal saiu no final daquele ano e a Romi-Isetta, ainda antes. Já na segunda metade dos anos 1960, muitos carros já tinham status de nacionais o que poderia ser traduzido em disponibilidade de peças e manutenção fácil. Naquela época, a GM que fabricava caminhões e utilitários ainda não tinha automóveis, até que os jornalistas receberam um convite para um evento.

evento de lançamento do Opala em 1968 após grande expectativa

 

No Clube Atlético Paulistano, em São Paulo, a General Motors do Brasil convocou a imprensa e afirmou que daria início ao Projeto 676. Seria um carro de passeio, em duas versões, com capacidade para seis passageiros, com configuração básica e “de luxo”, anunciou o presidente da GMB D. Martins, cuja gestão havia se iniciado em 1964 e ficaria marcada definitivamente pelos esforços para lançar o primeiro carro de passeio da Chevrolet.

A montadora estava bem atrasada com seu projeto, uma vez que havia integrado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia) na gestão de Juscelino Kubitschek em 1956. A estratégia embora longe de um cronograma ágil, era certeira. A Volkswagen já tinha posição consolidada entre os automóveis com o Fusca e a Kombi. A Ford anunciaria em breve o Ford Galaxie, um carro luxuoso de grande sucesso nos Estados Unidos. O Willys Gordini e a linha DKW já estavam envelhecidos diante dos compradores de carros compactos e os médios como o Aero Willys estavam perdendo espaço ano a ano. Havia espaço para a GM reagir.

Opel Rekord, dos anos 1960 cedeu o estilo e as linhas para o Opala

No final de 1966, vários protótipos foram fotografados em São Paulo. Alguns modelos eram o full size Impala, exibindo suas belas lanternas arredondadas, outros eram modelos europeus Opel em tamanho reduzido. O segredo foi muito bem guardado ao longo de 1967, ano em que o Galaxie roubou a cena. A decisão da General Motors, no entanto, estava tomada e o carro chegaria no ano seguinte.

testes foram feitos até nas pistas para ajustes mecânicos

 

A ideia era lançar aqui um modelo híbrido, de porte médio, pois o Impala, apesar de fazer sucesso e ter bons índices de venda por aqui como modelo importado, era grande demais para os nossos padrões. Internamente, a Chevrolet usou o projeto do Opel Rekord C, que fazia sucesso desde 1953, para basear seu novo carro. Em 1967 vieram diversas unidades do carro para o Brasil, nas carrocerias sedã e cupê, mas seu visual arredondado nas laterais e com faróis quadrados seria seriamente modificado.

O piloto Ciro Cayres, então com 33 anos, colaborou muito para aprimorar o conjunto mecânico do Opala, embora a marca tenha optado pelo motor tradicional de seis cilindros em linha com 2.507 cm³ de 125 cv adotado pela linha de utilitários e pelos modelos europeus desde os anos 1950. A suspensão recebeu especial atenção, já que o conjunto do Rekord C era duro, ao estilo europeu, e Ciro recomendou a adoção de um conjunto mais confortável em virtude do posicionamento de mercado do novo carro.

O visual europeu foi aprimorado pelo designer David Clarke, que aplicou elementos de estilo de modelos mais modernos da linha Chevrolet usando como base a linha de carros dos Estados Unidos. A grade foi inspirada no Chevy Nova, e a traseira, nas belas lanternas do Impala. A lateral foi mantida quase intacta, enquanto o interior ganhou elementos arredondados de inspiração esportiva. A sugestão do piloto Ciro Cayres era que a Chevrolet tivesse um modelo esportivo, que viria a ser o modelo SS. Como a mecânica seis cilindros é bem robusta, bastaria uma mínima preparação de comando e alimentação, usando carburadores de corpo quádruplo, para que o carro pudesse voar nas pistas. Mas a orientação era que o Opala fosse um carro familiar e mais sóbrio, pelo menos de início. Em 1968 o carro já estava pronto e a adequação da rede de concessionários era o último passo. Mecânicos foram treinados, líderes de equipe receberam muita informação sobre o carro cujo nome era conhecido. Opala é uma pedra preciosa brasileira, e seu nome representa na astrologia o mês de outubro, quando ele foi lançado há 50 anos. A sequência da história é bem conhecida ao longo dos 23 anos seguintes.

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