• Acervo de Fabio Loureiro com a bela foto de lançamento

O Fusca teve inúmeras versões no Brasil que tentavam explorar o “andar de cima” para o besouro. Apesar de ser um carro essencial e popular em todo o mundo o besouro teve sim algumas versões que propunham um carro com itens então luxuosos. Uma dessas facilidades era a adoção do câmbio automático nos últimos modelos alemães fabricados até 1978, como opcional é claro. Aqui também tivemos algumas versões mais com mais capricho do sedan, embora a grande maioria das unidades vendidas fossem de verdade a mais barata possível.

No Brasil o Fuscão chegou em 1970 com motor de 1500cc com 65cv e 12kgfm de torque a 3.000rpm, um desempenho bem mais esperto que o motor 1200cc de apenas 36cv das primeiras versões da década de 1960 ou até mesmo que o 1500..  A esta altura todo mundo queria deixar o motor do Fusca mais esperto. Alguns trabalhavam na carburação e outros em kits para aumentar a capacidade do pequeno motor refrigerado a ar. Houve até uma categoria de corrida, batizada de Super Vê, e que usava versões 1,6 litro do motor Volkswagen e repetia o sucesso de competições realizadas nos Estados Unidos na década anterior.

A Volkswagen queria explorar esse nicho com um modelo de rua e se inspirou em versões esportivas do modelo alemão 1302. O modelo gringo tinha carburação simples Solex com 50cv e 10,6kgfm a 2.800rpm. O modelo chegou a ser enviado ao Brasil para testes e cogitou-se usar uma faixa à meia altura do carro, conforme mostram reportagens da época, mas a VW logo desistiu.

imagem da Quatro Rodas

Assim, em 1974 chegava ao mercado o Fusca 1600 S. O motor usado na Brasília desde o ano anterior, um 1,6 litro com dupla carburação rendia 65cv. Vermelho Rubi, Amarelo Imperial ou branco eram as cores mais disponíveis deste Fusca caprichado. Tinha rodas com bitolas mais largas, pneus 175 aro 14, saída de escapamento pela lateral deixando o motorista ouvir seu ronco mais esportivo, e não ficava só nisso.

Por dentro, tinha bancos reclináveis, carpetes e um acabamento caprichado com itens em preto. O painel era a tradução da esportividade com conta-giros, amperímetro e termômetro de óleo em uma extensão na parte central, a alavanca de câmbio era mais curta com revestimento em corvim e o volante era um Walrod, clássico já na época.

teste do modelo 1600 que ficou em linha até 1986

O nome 1600 S saiu de linha logo no ano seguinte e foi rebatizado como Fuscão 1600. Ficou em linha até 1986 e não voltou na segunda versão, de 1993 a 1996. O modelo ajudou a construir a imagem de que a Volkswagen estaria junto ao automobilismo brasileiro patrocinando a Fórmula Super Vê, e os modelos serviram como homologação da categoria 1-FIA da época. Com menos de um ano e meio de produção, o Fusca 1600 é que se tornou por um longo tempo o maior expoente de esportividade da linha VW. Coisas da nossa história.

Quem é fã do besouro tem a chance de reviver estes clássicos de época nos eventos do Auto Show Collection. Conheça a programação da temporada 2019 e confirme sua presença.


Por Marcos Camargo,