Hyundai divulgação

A Hyundai lançou nesta semana a Copa HB20, nova categoria do automobilismo nacional. A competição terá oito etapas de rodada dupla (ao total 16 corridas) e promete revelar novos talentos das pistas como já ocorreu nas décadas anteriores (abaixo).


A novidade é o pacote fechado com todos os custos incluídos e o apoio de uma montadora, que também criou uma empresa de competições para cuidar da Copa HB20. Para se ter ideia do quanto isso é importante as últimas montadoras que investiram em competições monomarca foram Fiat e Renault na década passada. Atualmente Mercedes-Benz e Porsche mantém no Brasil suas tradicionais categorias mas dialogam basicamente com seu público-alvo.

Fórmula das pistas

O carro de corrida é um HB20 totalmente preparado para acelerar: o motor é baseado na versão 1.6 R-Spec preparado para render 160cv a 6.200rpm (bem mais que os 128 da versão comum) com torque máximo de 17,8kgfm a 5.400rpm com injeção eletrônica Pro Tune PR4. Com câmbio manual de cinco marchas e calibração de suspensão específica para competições, o compacto preparado deve alcançar os 200km/h favorecido pelo baixo peso de 950kg, 121 a menos que a versão de rua.


O piloto investirá R$ 200 mil para a temporada 2019 o que dará direito ao carro, preparação, telemetria, equipe de mecânicos e engenheiros, combustível (etanol aditivado, padrão da Copa HB20) e pneus para cada etapa. Há 20 pilotos inscritos em uma lista divulgada pela Hyundai, número que ainda pode crescer ao longo do ano. A primeira corrida será em Campo Grande/MS e seguirá o calendário da Copa Truck e da Mercedes-Benz Challenge.

– 14/04, em Campo Grande (MS)
– 02/06, em Londrina (PR)
– 14/07, em Curvelo (MG)
– 18/08, em Santa Cruz do Sul (RS)
– 06/10, em Tarumã (RS)*
– 27/10, em Curitiba (PR)*
– 08/12, em São Paulo (SP)
– Uma etapa para completar o calendário será anunciada em breve.
*Sujeito a confirmação

História

O Brasil tem longa tradição ao formar pilotos em categorias de acesso, trajeto que sempre foi muito difícil para quem tem “apenas” talento. Além disso, o desenvolvimento tardio do setor automobilístico com a fabricação nacional de carros só após 1956 também atrasou a relevação dos talentos genuinamente brasileiros.
Mesmo com um esporte caro para a maioria, muitos pilotos cresceram em competições como a Copa HB20. Antes da Hyundai, quais marcas já investiram no automobilismo? Separamos as principais para você conhecer (ou lembrar):

Willys Overland

Estabelecida no país desde 1952, montando o lendário Jeep com peças dos Estados Unidos a marca era uma potência quando lançou sua equipe de competições, em 1960, após obter a licença para fabricar modelos Renault, em 1958. Se destacou em todas as corridas da época como as Mil Milhas Brasileiras mas também fora do país.

Tinha seus próprios pilotos e fabricava seus carros para cada corrida. Foi a partir das pistas que nasceu a ideia de criar um carro nacional esportivo baseado no Renault Alpine, o Willys Interlagos. As montadoras da época como a Vemag (que fabricava os DKW) e a FNM também estiveram na cena do automobilismo.

 

Renault

A Copa Clio realizada no Brasil entre 2002 e 2006 deixou saudades. O compacto tinha motor K4M 1.6 16v preparado para entregar 140 cv. Tinha apoio da marca e chegou a ter 30 pilotos e vários patrocinadores. A marca saiu de cena mas a competição existiu por mais três anos. Além da Copa Clio outras corridas também foram realizadas com outros modelos da montadora francesa nos tempos em que os modelos da subsidiária Dacia ainda não existiam por aqui.

Chevrolet

Presente na cena até hoje, a GM estreou em 1977 com a popularíssima Stock Car. Os Opalas com motor seis cilindros de tração traseira e comas 250S, com carburador Weber 446 levavam público as pistas com muita propaganda e competições por todo o Brasil. Os Opalas foram substituídos pelo Ômega após 1994 (depois Vectra e Cruze) e até hoje a marca está presente na Stock Car.

Não só na Stock Car mas em vários momentos a marca esteve presente em corridas como na Copa Montana e Copa Corsa, nos anos 1990. Além da marca, a Old Stock Race segue a tradição dos Opalas e motores seis cilindros e se mantém em evidência no cenário automobilístico desde 2015, mesmo sem apoio da montadora.

Fiat

Em 1992 a Fiat estreou a Fórmula Uno. Usando como base o 1.6R de 104cv, era uma categoria acessível que chegou a ter 50 pilotos no grid. Também havia uma divisão feminina e posteriormente a Fórmula Uno conviveu com a categoria dos Palios, ainda nos anos 1990.

A boa aerodinâmica do carro, o baixo peso, e critérios que tornavam a competição bem justa fizeram da Fórmula Uno um sucesso que também impulsionou as vendas do carro.

Fato é que a montadora italiana sempre esteve perto das pistas. Em 2010 chegou a ter o Racing Festival, com varias competições que duraram até 2012. Na época a Fiat, com sérios problemas financeiros fora do país, cortou a verba de competições em vários países, inclusive no Brasil, onde era líder em vendas à época.

Fiat Divulgação

 

Mitsubishi

Foto: Cadu Rolim/Fotovelocidade

A Lancer Cup foi uma das mais recentes iniciativas de sucesso da montadora japonesa com veículos preparados pela Ralliart. Entre 2012 e 2016 as competições revelaram novos talentos em duas subcategorias com motores de até 340cv que protagonizaram ótimas corridas. Apesar da continuidade do Mitsubishi Motorsport em seis categorias, a Lancer Cup já não faz parte do conjunto de competições oficiais da marca.

por Marcos Camargo Jr