Prestes a se tornar um quarentão, o Toyota Camry é um atestado de aprimoramento constante quando o assunto é qualidade. Fabricado sob a plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture ou Nova Arquitetura Global da Toyota), que estreou no modelo 2018, o Camry tem rigidez torcional 30% superior à versão antiga. Aceleramos este que é um dos suprassumos dos três volumes, vendido no país em versão única de R$ 189,9 mil. 

Gente grande 

A receita do Camry une conservadorismo e potência bem ao estilo norteamericano. O motor V6 3.5 litros de 310cv com 37,7 kgfm de torque a 4.700rpm mostra que ele não tem vergonha de ser grande e torcudo, ainda abrindo mão do downsizing como seu arquirrival Honda Accord, que já usa o 1.5 turbo.

O funcionamento silencioso e potente surpreende sem abrir mão da estabilidade. Conta com controle eletrônico de tração e estabilidade, sete airbags, (frontais e laterais além de um de joelho para motorista e de cortina), freio de estacionamento eletrônico, suspensão traseira independente e controle de subida.

Faltam itens já comuns no segmento como alerta de ponto cego controle de cruzeiro adaptativo. Em resumo seus 310cv fáceis de domar mas uma versão menor e turbinada cairia bem. Outra opção seria o híbrido igualmente disponível e que a marca japonesa oferece na casa em produtos como o Lexus NX e o próprio Prius. 

Tech

Não é seu ponto forte mas o nível de equipamentos de tecnologia é bom. Tem tela LCD de 8 polegadas, função DVD player, CD-R/RW, MP3, WMA e AAC, rádio AM/FM, GPS, câmera de ré, Bluetooth e conexão USB e Auxiliar.

O ar condicionado digital tem climatização de três zonas, bancos elétricos com inúmeros ajustes e volante mutifuncional além da coluna de direção ajustável. 

Em resumo: solidez continua sendo seu ponto forte, o que é esperado em um carro tão experiente. Abaixo, listamos algumas curiosidades do Toyota Camry. 

Linha do tempo 

O nome Camry significa Coroa, na pronúncia kanmury, em japonês e surgiu como uma versão do Celica. Quadrado é bem japonês, com traseira baixa e lanternas longas o Camry construiu seu espaço mas tinha destino certo, a América. 

Após a longa experiência com o Corolla, de relativo sucesso nos EUA naquela época, a Toyota entendeu que o norteamericano gosta de sedã grande. Em 1983 o Camry crescia em tamanho e chegava aos Estados Unidos com motor 1,8 litro de 74cv ou 2,0 litros de 92cv. A substituição de modelos que eram preferência do público com produtos de grandes dimensões e motor V8 de tração traseira como o Ford Crown Victoria e Chevrolet Caprice entravam em declínio. Marcas premium como Cadillac e Lincoln também perdiam espaço justamente onde os japoneses cresciam. Literalmente.

Em 1986 o Camry estreava nova geração, subindo de nível, e oferecia também um motor V6 2,5 litros de 129cv. Nesta época o Toyota rivalizava mês a mês o ranking e vendas com o Honda Accord sendo que à semelhança com o rival iria mudar dentro de poucos anos. A cada dia Honda Accord e Toyota Camry se ajustavam ao perfil do consumidor oferecendo desempenho e confiança,  roubando compradores de marcas tradicionais.

A partir de 1992 o motor V6 3,0 litros de 188cv era o mais rápido do segmento e o visual o fazia parecer maior. A concorrência reagia com força, com produtos como o Ford Taurus (que chegou em 1985 e se renovava para 1992), os novos Chevrolet Caprice e uma ofensiva recente de marcas como Hyundai e Kia, que começavam a chegar aos Estados Unidos nos anos 1990. 

Ele deixou para crescer mais na geração que chegou ao Japão em 1996 e logo depois aos Estados Unidos. Esta foi a geração de maior sucesso por lá, fabricada até 2001. Até hoje muitos Toyota Camry desta geração rodam como veículos de uso diário nos Estados Unidos. O motor 3,0 litros V6 tem excelente rendimento, silêncio e baixo consumo de combustível.

A partir do ano de 2001 surgiu uma nova geração que antecipava as linhas do Corolla de 2003, mantendo os motores quatro e seis cilindros mas com desenho muito aerodinâmico. Logo depois os propulsores ficavam mais eficientes e potentes: o quatro cilindros 2,2 litros agora era 2,4 litros de 159cv com duplo comando de válvulas e o V6 3,0 litros desenvolvia 221cv. Nesta época foi lançado o Camry conversível, batizado de Solara.

A partir de 2006 chegou sua nova geração, mantendo a motorização mas cujo desenho não fez tanto sucesso apesar da estreia de uma versão híbrida naquele ano. Em 2011 uma nova geração chegou com motores 2,5 e 3,5 litros de até 268cv e uma nova versão híbrida.

Em 2017 foi oferecida a nova geração que se mantém como Automóvel mais vendido nos Estados Unidos. Apesar do Brasil não ser a maior vitrine em vendas para o Camry, posição ocupada pelo líder Corolla, este quase quarentão traz competência de sobra para manter seu legado. 

Por Marcos Camargo Jr