Este ano a Chevrolet irá lançar no Brasil, assim como já fez na China, uma nova geração de carros compactos. Entre eles estão os novos Onix e Prisma – líderes em seus respectivos segmentos, que além de novo visual terão novos motores três cilindros turbo. O lançamento irá ocorrer até o final do semestre e na próxima semana, dia 11, fará uma prévia dos novos modelos. Após o lançamento do Onix e Prisma, que pode ser rebatizado como Onix sedã e cujo visual já foi revelado.

No futuro também o Cobalt, a perua Spin e o SUV Tracker usarão a novíssima plataforma GEM – Global Emerging Markets, desenvolvida na China para mercados globais. Mas este não é um passo atrás, já que a nova base foi desenvolvida pela SAIC, uma subsidiária chinesa da General Motors que vendeu mais de 6 milhões de unidades no ano passado, três vezes mais do que as vendas totais do mercado brasileiro.

Por lá a SAIC fabrica modelos Chevrolet, Cadillac, Buick e FAW mas também é dona de marcas locais e única proprietária da MG Motor, tradicional marca britânica administrada (e admirada) pelos chineses.

Mudanças 

Esta será uma nova guinada da GM no país, após anos usando plataformas derivadas da marca Opel no Brasil. No passado, Chevette, Kadett e mais recentemente o Corsa e o Astra/Vectra eram projetos europeus. Como a Opel agora pertence ao grupo PSA, a GM recorre a China para fornecer projetos atualizados para mercados emergentes como o brasileiro. 

 

 

 

 

É um momento de transição. A GM readequou sua linha de produtos no mundo inteiro. Mais uma vez. Nos EUA já fechou fábricas e voltou seu lineup para SUvs e Pickups em um programa de atualização que vem desde 2008 durante a crise que quase levou a GM à falência. Na Europa reduziu sua participação com a venda da Opel. Na China cresceu e lá desenvolveu novos produtos nos últimos anos. Sem alternativa, a América do Sul receberá majoritariamente um novo projeto asiático rumo a sobrevivência da companhia. Por aqui a chegada dos novos veículos rendeu investimentos de mais de R$ 10 bilhões só nas fábricas paulistas.

Mas quantas guinadas deste tipo a Chevrolet já deu ao longo das últimas décadas?

Se adequações são normais ao longo da história vamos ver algumas da GM nas últimas seis décadas.

Corvair em 1960

O sedã compacto era inovador em tudo: estrutura monobloco, suspensão independente e motor traseiro 2,3 litros refrigerado a ar que desenvolvia 80cv. Na época, a Chevrolet só tinha carros grandes mas queria explorar este novo segmento. A solução deu certo por alguns anos e rendeu projetos como a perua Lakewood, a van Corvan e versões como a Monza, equipada com motor turbo. Foi abalado pela publicação do livro “Inseguro a qualquer velocidade” do advogado Ralph Nader que relatava problemas nas curvas a bordo do Corvair e a falta de assistência naquela época. O carro compacto nunca foi um grande sucesso mas abriu portas para a GM repensar seus carros compactos que viriam após a descontinuação do Corvair em 1969. 

Vega em 1971

A

Após o final do Corvair, a GM agilizou o projeto de um carro pequeno e eficiente mas um pouco mais convencional. Tinha motor 2,3 litros de quatro cilindros com 90cv. O carro não era bem acertado mas deu origem a uma família com um cupê, sedã e uma perua além de um furgão, todos com duas portas. O segmento dos carros econômicos crescia nos EUA e mesmo que a GM não seguisse com o Vega, que saiu de linha em 1977, abriu caminho para produtos melhores e uma nova guinada.  

Ascona C em 1981

Usando um nome comum na Europa desde os anos 1950, o Opel Ascona C lançado em 1981 seria importante para a GM no mundo inteiro. Derivado da plataforma J, era bastante eficiente e confortável mostrando o acerto do conjunto. No ano seguinte chegaria ao Brasil como Monza para se tornar o carro mais vendido do mercado, mesmo pertencendo ao segmento dos médios. O Ascona fez sucesso, virou Monza  e foi produzido em cinco fábricas do mundo. Até nos Estados Unidos foi aproveitado em inúmeros projetos ao longo dos anos 1980. 

Daewoo

No início dos anos 1990 houve um desembarque de marcas importadas no no Brasil: entre elas estava a Daewoo que usava mecânica e projetos da GM. Os projetos eram até antiquados mas com desenho moderno o que trouxe um relativo sucesso. Esses projetos ajudaram a modernizar a linha GM naquela época embora a Daewoo tenha sido vendida no Brasil de forma independente. Este desembarque da Daewoo por aqui abriu caminhos para produtos asiáticos mais modernos do que os já tivemos. Foi o caso, anos depois, do Captiva e da primeira geração do Cruze, desenvolvidos na Ásia e que desembarcaram aqui após 2008. 

Corsa 

Em 1994 a GM precisava urgentemente de um novo produto para o Brasil e coube ao Corsa esta missão. O compacto estava em sua segunda geração lançada em 1993 e foi um sucesso de imediato diante do decadente Chevette. Design atualizado, motorização moderna, conforto incomum para um carro de sua classe além de um bom preço. Foi um divisor de águas para a Chevrolet que viveu tempos áureos na metade dos anos 1990. Além da versão de duas portas, havia o Corsa quatro portas, a perua e o sedã que foi o último a deixar de ser produzido aqui, em 2016. Projetos europeus, o Corsa foi seguido pelo Astra e Vectra que ficaram 20 anos em produção por aqui. Produtos como a Montana e o Agile, também tinham o Corsa como base.

Elétrico EV1

Rumo ao futuro a GM apresentava seu carro elétrico em 1996. O EV1 era vendido na Califórnia e Arizona para difundir a cultura do carro elétrico. No entanto apesar do sucesso tinha problemas com o sistema de baterias e saiu de linha em 1999. A resposta para carros elétricos da GM viria dez anos depois com o sedã Volt, e mais recentemente com o Bolt para seu portfolio.

2008: a crise definitiva 

Depois de transferir parte da produção de seus carros para a Ásia e para o México, a Chevrolet vinha perdendo espaço nos Estados Unidos e em vários países onde já tinha sido líder. Em 2008 a montadora anunciou um plano de recuperação e recebeu US$ 13,4 bilhões do governo americano. Em troca, negociou as condições de trabalho com os sindicatos, trouxe mais eficiência para os motores da linha e modernizou seus produtos com simplificação da linha.

Extinguiu marcas como a Pontiac e a Buick (que segue na China) e mudou o perfil da Cadillac que naquela época precisava de urgentes atualizações. O desafio de hoje é manter seus carros atrativos para os consumidores  do presente e viável em termos de negócio.

Enquanto a marca mira no futuro o Auto Show Collection renderá sempre homenagem ao passado com clássicos que marcaram época: tanto em modelos lendários como o Opala aos novos clássicos como o Kadett que este ano ganha status de carro antigo por completar 30 anos de lançamento.

 

Por Marcos Camargo