A Renault construiu sua história centenária com modelos de sucesso de baixo consumo e boa proposta urbana além de esportivos e modelos de alta performance. Mesmo com feitos memoráveis como o primeiro motor turbo da Fórmula 1, a Renault sempre fez volume com modelos como o 4CV, 4L, 12, Twingo, Dauphine e tantos outros tem em comum as dimensões reduzidas e a economia quando o assunto é combustivel.

Não poderia ser diferente com o Kwid, subcompacto que desenvolvido na Índia e vendido com sucesso em vários países, inclusive no Brasil. Muito antes do Kwid, um Renault fez sucesso durante três décadas seguidas, o 4L. E há muitas semelhanças entre os dois, separados por quase 60 anos.

Olhar para o passado é certeza de evoluir no  futuro. A proposta do Kwid segue a mesma: um carro urbano, barato, econômico e suficiente para levar uma família com bagagem.

Até o comprimento de 3,68m é exatamente o mesmo nos dois veículos. Outra curiosidade: o Renault 4L era inspirado nos modelos maiores do seu tempo, as peruas e o Kwid também quer ser um “SUV dos compactos”.

 

Motor frugal

Nos anos 1950, um carro de entrada europeu tinha motor bem pequeno, em torno de 600 cm³ e rendimento próximo dos 20 km/l com desempenho modesto, quase inviável para viajar. No século XXI, este carro urbano tem motor 1.0 de três cilindros e 70 cv (etanol). São fórmulas bem diferentes em busca do mesmo objetivo: economizar combustível considerando a tecnologia disponível em cada época.

O visual do 4L não era muito feliz: inspirado nas vans familiares aproveitando todo o espaço interno, o resultado era um carro um pouco desproporcional. Dianteira curta, levemente inclinado para a frente graças ao conjunto de suspensão de feixe de molas atrás, o 4L queria ser leve e espaço mas jamais refinado.

Nisso é diferente do Kwid, onde o desenho sugere que ele seja muito maior do que é. Por dentro, a simplicidade do modelo clássico permitia um painel muito simplificado sem conta-giros ou porta-luvas, substituído por um amplo espaço para guardar objetos em um compartimento inferior.

DNA humilde 

Em um carro popular é normal economizar nos detalhes. No forro de portas do antigo Renault 4L havia um revestimento de placas que permitiam ver a estrutura do carro, algo que no Kwid evoluiu bastante, mas deixou transparecer em economia pelo plástico rígido de todo o acabamento.

O barulho do motor se faz ouvir e invade a cabine em acelerações mais bruscas. Nisso, os dois são iguais. As janelas do Renault 4L abriam para o lado, de forma deslizante para economizar o cabo de aço e a manivela, e no Kwid a economia ficou por conta da fiação, já que os botões estão no centro do painel.

O porta-malas do antigo Renault tinha 256 litros, o que era uma grande evolução ante os carros da época, e no Kwid são 290 litros, bem próximo dos rivais, como o Fiat Mobi e o Volkswagen Up!. O velho Renault 4L evoluiu em termos de motores e tempos depois passou a receber outras soluções de 956 cc ou 1.108 cc de até 34 cv, deixando também sua simplicidade para apostar na confiança de um carro que evoluía sem deixar seu DNA. Ainda assim, foi fiel até o fim, mantendo o seu espaço interno, dimensões e praticamente o mesmo visual explorando nichos como furgão e até veículo off road. Já o Kwid não deve nada à sua proposta e seus 70 cv rendem bem durante nosso teste. Ainda assim, uma futura versão esportiva com turbo, assim como o 4L levou às pistas dos ralis Paris-Dacar e Cross-Elf motores 1,4 litro de 110 cv, deixaria o Kwid ainda mais divertido. Por enquanto, só o 1.0 aspirado mesmo.

O Renault 4L (Quattrelle, para os franceses) foi um sucesso mundial, embora não tenha sido vendido por aqui. Chegou a ser montado em 16 fábricas em um total de oito milhões de unidades vendidas. A expectativa para o compacto Kwid para mercados emergentes é ainda maior dado o apetite por carros populares que nunca cessa.

Todo ano o Auto Show Collection organiza a Noite Renault com uma exposição de clássicos da marca. Se você é fã de antigos conheça o Auto Show e viaje no tempo a bordo dos clássicos que marcaram época.