Antigamente carro confortável era sinônimo de grandes dimensões e motores superdimensionadas, sonhos de consumo criados pelas montadoras de Detroit nos Estados Unidos. Mesmo com tantas mudanças no mercado de hoje os carros norte-americanos continuam como desejados em ícones como o Cadillac Eldorado, Chevrolet Bel Air e Impala, Ford Crown Victoria, Buick Electra, Chrysler Newport e tantos outros. Com conforto para dirigir, o câmbio automático é item obrigatório, por assim dizer, em um carro americano. Mas de onde ele veio?

Há 80 anos ficava pronta para ser lançada a primeira versão de uma transmissão automática para carros de passeio em larga escala. Os Oldsmobile e Cadillac chegariam no ano seguinte como modelo 1940 usando o câmbio Hydra-matic, usando um conjunto banhado a óleo sob alta pressão com duas marchas.

A Chrysler lançaria logo em seguida, 1940, o Fluid Drive Transmission. Em 1951 foi a vez da Ford com o Ford-O-Matic. Nos anos 1950 a solução chegaria aos populares Chevrolet com o nome Powerglide e que nos anos 1960 ganhou a terceira marcha. Em menos de 20 anos a evolução dos carros dos Estados Unidos se deu por meio de um modelo automático, preferência nacional. E há razões para isso. A propaganda desde 1940 apregoava que o câmbio sem embreagem tornaria o exercício de guiar mais seguro ao manter as duas mãos no volante, sem as trocas de marcha. Também dizia que o fato de trocar as marchas muitas vezes além de cansar causava o desgaste prematuro do veículo, com reduções e acelerações.

E num país sob fortes investimentos na expansão rodoviária, dirigir é preciso, mas de forma suave. Assim, automáticos, com tração traseira e grandes dimensões, os carros automáticos se popularizaram rápido. A partir dos anos 1940 não foram necessários nem 15 anos para que quase todo automóvel americano tivesse transmissão automática.

No Brasil, a fama de que o câmbio automático dá manutenção e pela realidade de que consomem mais combustível os fez ficar longe do nosso mercado a não ser em carros mais caros. Com o trânsito cada vez mais intenso, e a evolução destas transmissões, o brasileiro finalmente acordou para perceber que no trânsito cotidiano só vale a pena trocar de marcha se o carro justificar isso. Em outras palavras só a bordo de um carro esportivo. Curiosamente, contribuímos muito para esta realidade. A primeira transmissão automática foi patenteada em 1904, mas só em 1930 se tornou mecanicamente viável para um automóvel. Fernando Iehly de Lemos e José Braz Araripe aprimoraram o sistema e venderam a solução à GM em 1932. O resto da história eu já contei no início desta reportagem.

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