Quando o assunto é Fusca é comum a divulgação de uma imagem pitoresca que ilustra o momento em que o besouro começou a ser fabricado na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo, em 1959. Nela, os fusquinhas descem a rampa da suposta fábrica da Volkswagen e viram à direita. O edifício de estilo racionalista é típico de uma indústria e pode levar a uma confusão. A própria Volkswagen divulga esta foto para registrar o começo da fabricação do Fusca brasileiro. E está errado.

O especialista Alexander Gromow, um dos maiores conhecedores da história da marca alemã, explica que esta foto não corresponde a uma primeira safra de fuscas brasileiros de 1959 mas sim de um lote importado da Alemanha e usado pela Polícia paulista, em 1957.

Uma matéria veiculada pelo jornal O Globo à época, atesta: “A Polícia de São Paulo acaba de importar 40 automóveis que serão imediatamente incorporados ao serviço da Rádio-Patrulha” diz o artigo daquele ano.

Visivelmente, os carros que descem a rampa, tem o vidro traseiro, chamado “vigia”, em formato oval, característica dos modelos alemães importados para cá desde 1950. Já o primeiro modelo nacional adotou o vigia retangular. “Distingue-se dos modelos Volkswagen dos anos anteriores pela janela traseira mais ampla e mais larga”, diz uma matéria de 1959 publicada no Jornal do Brasil, esta sim referindo-se aos fusquinhas fabricados aqui.

Aliás, depois do primeiro lote de Fuscas para a Polícia, a Volkswagen sempre forneceu diversos lotes do besouro. Essas viaturas ganharam, claro, apelidos curiosos como “baratinha”, alusão à cor preta usada nos anos 1970.

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